Gasoduto Bolivia-Mato Grosso

Fonte: Global Energy Monitor

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This article is part of the Global Fossil Infrastructure Tracker, a project of Global Energy Monitor.
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O Gasoduto Bolívia-Mato Grosso é um gasoduto que vai de Santa Cruz, Bolívia a Cuiabá, no Brasil.[1]

Localização

O gasoduto vai de Santa Cruz, Bolívia a Cuiabá, no Brasil. Começando em um entroncamento com o gasoduto Gasbol na estação de compressão Estación Chiquitos, o gasoduto segue para nordeste até San Matias, Bolívia, onde atravessa a fronteira e continua a nordeste através dos municípios brasileiros de Cáceres, Poconé, Nossa Senhora do Livramento e Várzea Grande para chegar a Cuiabá.[2][3][4][5]

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Detalhes do projeto

  • Operadora: GOM (GasOcidente do Mato Grosso Ltda)[2][6]
  • Proprietária: Grupo J&F
  • Capacidade atual: 5,7 milhões de metros cúbicos/dia (201,29 milhões de pés cúbicos/dia)[7]
  • Comprimento: 645 km / 401 milhas[2][3]
  • Situação: Em operação
  • Ano de início: 2001[8]

Histórico

O gasoduto Cuiabá, operado pela GOM (GasOcidente do Mato Grosso Ltda, subsidiária do Grupo J&F), é um duto de gás natural que começa perto da cidade de Santa Cruz, no leste da Bolívia, e vai até Cuiabá, estado do Mato Grosso, no Brasil, onde abastece a Usina Termelétrica de Maria Covas, de propriedade da Âmbar Energia (outra subsidiária do Grupo J&F). O gasoduto tem 645 km de extensão, sendo 283 km no lado brasileiro e 362 km no lado boliviano.[2][3][9] A construção do gasoduto começou em 1999 e foi concluída em 2001, com as operações comerciais iniciando em 2002.[8]

No início de 2018, GOM suspendeu o transporte de gás pelo gasoduto, citando suprimento insuficiente de gás da Bolívia e disputas contratuais com a Petrobras, que vinha fornecendo gás de seu próprio suprimento sob um acordo separado. Em abril de 2018, a Âmbar Energia anunciou que encerraria sua central elétrica Mario Covas indefinidamente, observando que havia recebido apenas gás suficiente para operar a usina por 35 dias nos últimos nove meses.[10] Posteriormente, a GOM protocolou documentos junto à ANP (Agência Nacional de Petróleo), declarando que o oleoduto não era mais viável financeiramente.[11]

Entretanto, o gás natural transportado pelo gasoduto é importante para várias outras empresas na região de Cuiabá, principalmente a MT-Gás, que fornece gás natural comprimido para estações de abastecimento em todo o Mato Grosso para uso veicular. Em abril de 2018, o governo do estado de Mato Grosso entrou com uma moção no tribunal para forçar a GOM a continuar fornecendo gás através do gasoduto,[12][13] e em setembro de 2019, foi anunciado que as operações do gasoduto seriam retomadas no mês seguinte para suprir a MT-Gás e outros usuários menores, pondo fim ao fechamento de 22 meses do oleoduto. Segundo o novo contrato, o gasoduto deverá fornecer cerca de 5 milhões de metros cúbicos por mês, uma queda drástica em relação aos 2,2 milhões de metros cúbicos por dia anteriormente utilizados pela central elétrica Mario Covas.[14][15]

Em março de 2021, depois de receber a autorização para retomar importações de gás natural boliviano para sua usina de Cuiabá, a Âmbar Energia estava negociando um novo contrato de importação pelo gasoduto com a estatal boliviana de gás YPFB.[16]

Impactos no Meio Ambiente e nos Direitos Humanos

O projeto percorre a Floresta Chiquitano, com 15 milhões de acres, que é o último remanescente significativo do mundo de floresta tropical seca intacta e um dos habitats mais ricos em vida selvagem do mundo. Ela está situada em uma zona de transição biogeográfica entre as florestas úmidas da Amazônia e os arbustos áridos de espinheiros do Gran Chaco em direção ao sul, as savanas do Rio Beni inundadas durante a estação das chuvas e as savanas do planalto do Cerrado e o Pantanal - a maior região pantanosa do mundo. Embora o número de comunidades não esteja claro nestas fontes, entre 170 e 270 comunidades indígenas e camponesas de Chiquitano e Ayoreo vivem na floresta de Chiquitano - cerca de 57.000 pessoas. Também houve oposição de organizações ambientais como o World Wildlife Fund, o Jardim Botânico de Missouri, a Wildlife Conservation Society, o Museu Noel Kempff e o Friends of Nature, baseado na Bolívia. A ação realizada por essas ONGs terminou em 1999 com um polêmico acordo com a Enron, que também foi assinado pela Shell como parte secundária do projeto de construção. Nesse acordo, a Fundação para a Conservação da Floresta Chiquitano foi estabelecida e uma quantia de US$ 30 milhões foi prometida a ela, para uso nos trabalhos de conservação necessários. Mas até agora, diz Bolnino Socore, líder da vila, a comunidade recebeu 50 vacas e um poço de água, e um pouco mais. A Enron, no entanto, com o financiamento para o esquema de construção vindo da Corporação de Investimento Privado no Exterior dos EUA (OPIC), planejava ganhar US$ 50 milhões por ano durante os 40 anos de vida do projeto do gasoduto.[1]

Alegações de corrupção

De acordo com reportagens, a proprietária original da Enron incluiu o gasoduto Cuiabá em uma transação para aumentar falsamente a receita da empresa, ocultar dívidas e perdas e enriquecer vários executivos importantes da Enron. Os contadores da Enron registraram um lucro de US$ 65 milhões com o projeto antes que o gasoduto chegasse a entregar gás. Mas os números verdadeiros mostram que Cuiabá apareceu três anos mais tarde e mais de 50% acima do orçamento, chegando a US$ 750 milhões, dos US$ 475 milhões estimados.[17]

Artigos e recursos

Cuiabá Gas Pipeline: Social and Environmental Impacts on the Chiquitano Forest Eco-Watch

Referências

  1. 1.0 1.1 "Destroying Thousands, Earning Millions". Cultural Survival. Retrieved 2021-03-22.
  2. 2.0 2.1 2.2 2.3 "Gasoduto". Gasocidente. Retrieved 2020-10-27.
  3. 3.0 3.1 3.2 Areas of Operation, Ambar Energia, página acessada em fevereiro de 2019
  4. "Gás Natural para Mato Grosso". Abides. May 31, 2017.
  5. "Interconexiones Gasistas Internacionales en Bolivia (page 22)" (PDF). ANH Bolivia (Agencia Nacional de Hidrocarburos Bolivia). Retrieved August 20, 2020.
  6. "Plano Decenal de Expansão da Malha de Transporte Dutoviário –PEMAT 2013-2022 (p 49)" (PDF). Ministério de Minas e Energia. March 5, 2013.
  7. "Informações do Empreendimento: Capacidades". GasOcidente. Retrieved 2020-06-25.
  8. 8.0 8.1 "A Gasocidente". Gasocidente. Retrieved 2020-10-27.
  9. "GasOriente Boliviano". gasorienteboliviano.com. Retrieved 2021-03-22.
  10. "Operação da térmica de Cuiabá e do gasoduto Bolívia-Mato Grosso será suspensa". Jornal do Comércio. April 3, 2018.
  11. "Empresa desiste de explorar gasoduto em MT". Folhamax. September 28, 2018.
  12. "Governo quer obrigar empresa dos irmãos Batista a manter fornecimento de gás para MT". O Livre. April 10, 2018.
  13. "YPFB deverá vender 2,1 milhão de m³/dia de gás para térmica Cuiabá". ABEGÁS. December 26, 2018.
  14. "Depois de quase 2 anos, reabastecimento de gás natural será retomado em outubro". RD News. September 9, 2019.
  15. "Gás natural no Distrito Industrial, um sonho perto da realização". Olhar Direto. September 9, 2020.
  16. "Brazil's gas market draws growing competition". Argus Media. March 25, 2021.
  17. "Enron Pipeline Leaves Scar on South America" The Washington Post, página acessada em agosto de 2018