Gasoduto Urucu-Manaus

Fonte: Global Energy Monitor

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O Gasoduto Urucu-Manaus, também conhecido como Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, é um gasoduto em operação.

Localização

O gasoduto vai da instalação de produção do Pólo Arara da Petrobras em Urucu, Brasil, até sete usinas termelétricas a gás em Manaus, Brasil. O gasoduto passa pelos municípios de Coari e Anamã, no estado do Amazonas.[1]

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Detalhes do projeto

  • Operadora: TAG (Transportadora Associada de Gás S.A.)[2]
  • Empresa(s) controladora(s): Engie/CDPQ (Caisse de Dépôt et Placement du Québec) 90%, Petrobras 10%[3]
  • Capacidade: 5,5 MMcm/d (194 MMcf/d)[1]
  • Comprimento: 412 milhas / 663,2 km[1]
  • Diâmetro: 18 polegadas, 20 polegadas[4]
  • Situação: Em operação
  • Ano de início: 2009[1]

Histórico

O Gasoduto Urucu-Manaus transporta gás natural de Urucu, a maior reserva terrestre de gás natural do Brasil, para Manaus, a maior cidade da bacia amazônica brasileira. O gasoduto foi inaugurado em 26 de novembro de 2009[5] e era operado originalmente pela Transportadora Urucu-Manaus S.A., uma subsidiária da Petrobras O gasoduto abastece as cidades de Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru, Iranduba e Manaus[6], assim como as usinas Manauara, Tambaqui, Jaraqui, Aparecida, Mauá, Cristiano Rocha e Ponta Negra-Urucu-Coari -Manaus, que juntas geram 760 MW de eletricidade.[1]

Em 2015, a agência distribuidora de notícias Globo informou que 30% do gás natural transportado pelo gasoduto Urucu-Manaus não era utilizado devido a sistemas de distribuição inadequados e subutilização nas usinas termelétricas movidas a gás na área de Manaus. De acordo com a reportagem, o contrato especificava que o governo do estado do Amazonas pagasse multas à Petrobras se o gás natural do gasoduto não fosse usado a plena capacidade até 2017.[7]

A Transportadora Urucu-Manaus S.A. foi incorporada à TAG (Transportadora Associada de Gás S.A.) em agosto de 2010.[8] Em abril de 2019, um consórcio liderado pela gigante francesa de energia Engie anunciou que compraria da Petrobras 90% da infraestrutura de transporte da TAG, incluindo o gasoduto Urucu-Manaus.[9] A venda para a Engie recebeu a aprovação final da Petrobras em junho de 2019.[10][11]

Irregularidades Financeiras

De acordo com uma análise feita em março de 2019 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Amazonas Energia comprou mais combustível do gasoduto do que o recomendado e pagou mais pelo gás de outros pontos de venda no varejo.[12]

Seções

O gasoduto tem três seções. Um gasoduto de gás liquefeito de petróleo (GLP) de 18 polegadas da instalação de produção em Urucu para Coari foi adaptado para transportar gás natural na primeira seção de 279 quilômetros, enquanto um novo gasoduto de GLP de 10 polegadas foi construído paralelo ao primeiro. A segunda seção (196 km) vai de Coari a Anamã e a terceira (186 km) vai de Anamã a Manaus.[4] Além da linha tronco principal, o gasoduto tem sete ramais.[13]

Características técnicas

O gasoduto transportou 17 bilhões de metros cúbicos (bcm) de gás natural por ano em sua primeira fase de operação.[14] A capacidade total do gasoduto é de 20 bcm de gás natural por ano.[15]

Proposta expansão de Urucu a Juruá

Uma expansão de 140 km na direção oeste do gasoduto foi proposta, de Urucu aos campos de gás natural de Araracanga em Juruá, onde quatro poços de teste mostraram potencial de produção de 500.000 cm/d de gás natural cada um.[16] A Petrobras recebeu licenças ambientais para construir o gasoduto Urucu-Juruá em 2008 e novamente em 2011, mas até o momento não houve mais desenvolvimentos[17][18] e presume-se que o projeto foi arquivado.

Local da expansão de Urucu a Juruá

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Detalhes do projeto de expansão de Urucu a Juruá

  • Proprietária: Petrobras
  • Empresa(s) controladora(s):
  • Capacidade: 2 MMcm/d / 71 MMcf/d[16]
  • Comprimento: 140 km / 87 milhas[18]
  • Diâmetro:
  • Situação: Arquivado
  • Ano de início:

Proposta de expansão de Urucu a Porto Velho

As propostas para levar gás natural ao estado de Rondônia (na bacia do alto Amazonas) datam de pelo menos duas décadas[19] mas sempre encontram obstáculos. Em agosto de 2002, o Ibama (agência ambiental brasileira) concedeu uma licença para a construção do gasoduto Urucu-Porto Velho, mas o cabo-de-guerra legal subsequente entre proponentes e opositores manteve o projeto paralisado[20][21], com os ambientalistas alertando sobre o potencial de poluição do solo e da água, desmatamento, desenvolvimento descontrolado e impactos negativos sobre as comunidades indígenas ao longo do trajeto do gasoduto.[22]

O Ibama emitiu uma nova licença de construção para o gasoduto em 2007[23] e, em 2008, o governo federal brasileiro expressou seu compromisso renovado na construção do gasoduto.[24] Mas em 2012 o projeto foi novamente abandonado, com a presidente Dilma Roussef declarando que a produção de gás em Urucu era insuficiente para abastecer Manaus e Porto Velho.[25]

Apesar desses reveses em sequência, as autoridades eleitas de Rondônia, entre eles os senadores Valdir Raupp, o governador Marcos Rocha e o senador Marcos Rogério continuaram fazendo lobby pelo gasoduto, citando o gás natural como uma alternativa mais barata e mais limpa comparada ao óleo diesel usado para gerar eletricidade nas usinas antiquadas de Rio Madeira e Termo Norte.[26][27][28][29]

Em agosto de 2019, em uma reunião em Brasília com funcionários da distribuidora de gás rondoniense Rongás e o presidente da Petrobras (Roberto Castelo Branco), a delegação legislativa do estado de Rondônia defendeu a extensão do Gasoduto Urucu-Manaus por 523 km na direção sul de Urucu até a capital de Rondônia, Porto Velho. As autoridades do governo afirmaram que há uma forte demanda em Rondônia por gás natural como alternativa de combustível de baixo custo, que o trecho do gasoduto entre Urucu e Porto Velho seria mais curto e mais fácil de ser construído do que o trecho Urucu-Manaus existente e que investidores privados estão interessados de forma ativa na construção do gasoduto, deixando a Petrobras livre para vender seu gás em Rondônia, sem a necessidade dela ter que fazer grandes investimentos próprios em infraestrutura.[30]

Local da expansão de Urucu a Porto Velho

A expansão proposta seria na direção sul-sudeste de Urucu até a capital de Rondônia, Porto Velho[31], atravessando as comunidades de Coari, Tapauá e Canutama no estado do Amazonas e cruzando os rios Madeira, Açuã, Purus, Coari e Itanhauã.[22]

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Detalhes do projeto de expansão de Urucu a Porto Velho

  • Proprietária:
  • Empresa(s) controladora(s):
  • Capacidade: 2 MMcm/d / 71 MMcf/d[29]
  • Comprimento: 523 km / 325 milhas[30]
  • Diâmetro: 14 polegadas[19]
  • Situação: Proposta
  • Ano de início:

Artigos e recursos

Referências

  1. 1.0 1.1 1.2 1.3 1.4 "Eneva e 3R Petroleum ofertam mais de 1 bilhão pelo polo de Urucu, da Petrobras". CPG Click Petroleo e Gas. December 7, 2020.
  2. "Sistema de Transporte – TAG". TAG. Retrieved 2020-06-28.
  3. Sudip Kar-Gupta (April 8, 2019). "Engie-led consortium seals $8.6 billion purchase of Petrobras pipeline unit". Reuters.
  4. 4.0 4.1 "Gasoduto Urucu-Coari-Manaus inicia operação comercial". Agência Petrobras. November 26, 2009.
  5. "Petrobras inaugura gasoduto Urucu-Manaus". Jornal de Brasília. November 26, 2009.
  6. "Urucu-Coari-Manaus Pipeline". Hydrocarbons Technology. Retrieved 2021-04-14.
  7. "30% da produção em gasoduto no AM fica sem uso e volta para a terra". O Globo. April 10, 2015.
  8. "Sobre a TAG". TAG. Retrieved 2020-06-28.
  9. "Petrobras plans to sell gas pipeline to Engie for $8.6bn". Financial Times. April 5, 2019. Retrieved 2020-06-28.
  10. "Petrobras closes the sale of TAG". Petrobras press release. June 13, 2019.
  11. "Petrobras vende o gasoduto de Urucu". D24am - Amazonas. June 13, 2019.
  12. Eletrobras recebe crédito de R$ 1,5 bilhão em recursos de subsídio, D42 am Economia, 15 de março de 2019
  13. "Petrobras to Bring Urucu-Coari-Manaus Gas Pipeline On Stream". RigZone. November 25, 2009.
  14. "Urucu–Manaus gas pipeline". Scandinavian Oil & Gas Magazine. 2006-06-21. Retrieved 2007-05-12.
  15. "Urucu-Coari-Manaus and Urucu-Coari Gas Pipeline Projects". U.S. Securities and Exchange Commission. 2005-12-31. Retrieved 2008-05-17.
  16. 16.0 16.1 "Petrobras já planeja novo duto para gás na Amazônia". Portos e Navios. February 8, 2010.
  17. "ESTUDO PRÉVIO DE IMPACTO AMBIENTAL PARA CONSTRUÇÃO DO GASODUTO JURUÁ/URUCU" (PDF). IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas). December 2008.
  18. 18.0 18.1 "Petrobras obtém licença de gasoduto do Juruá a Urucu, no Amazonas". Braslog Logística e Comércio Exterior. October 18, 2011.
  19. 19.0 19.1 "Gas Market Integration in the Southern Cone – Publications" (PDF). Inter-American Development Bank. 2004.
  20. "Raupp pede início das obras do gasoduto Urucu-Porto Velho". Senado Federal. September 18, 2003.
  21. "Comissão aprova gasoduto Urucu/Porto Velho - Notícias". Portal da Câmara dos Deputados. June 23, 2006.
  22. 22.0 22.1 "Gasodutos opõem desenvolvimento e preservação". Repórter Brasil. April 23, 2004.
  23. "Ibama libera construção do gasoduto Urucu-Porto Velho - Rondoniaovivo.com". Rondoniaovivo. August 9, 2007.
  24. "Dilma Rousseff renova compromisso de gasoduto Urucu/Porto Velho a senador Raupp". Gente de Opinião. June 4, 2008.
  25. "Adeus Gasoduto, Hidrelétrica e Ferrovia: Dona Dilma cortou tudo". Tudo Rondônia. January 26, 2012.
  26. "Valdir Raupp defende construção de gasoduto Urucu-Porto Velho". Senado Federal. November 27, 2008.
  27. "OPINIÃO DE PRIMEIRA: O GASODUTO QUE NUNCA VAI SAIR, VOLTA A SER DISCUTIDO". News Rondonia. October 21, 2012.
  28. "Comissão de Fiscalização defende gasoduto para Amazonas e Porto Velho". O Petróleo. December 11, 2016.
  29. 29.0 29.1 "O gasoduto volta à pauta: Porto Velho pode receber 2 milhões de metros cúbicos de gás por dia". Tudo Rondônia. November 15, 2019.
  30. 30.0 30.1 "Bancada federal reúne com a direção da Petrobrás para debater a implantação de gasoduto até Porto Velho". ROLNEWS. August 14, 2019.
  31. "Gasoduto Urucu-Porto Velho". Petrobras. Retrieved 2020-11-02.