Perfil energético – Nicarágua

Fonte: Global Energy Monitor

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Matriz de combustível (combustíveis fósseis versus renováveis)

As energias renováveis, incluindo eólica, solar, biocombustíveis, geotérmica e hídrica, representam cerca de 73% do fornecimento total de energia da Nicarágua, com o petróleo fornecendo os 27% restantes em 2019.[1] Os combustíveis fósseis têm maior participação na geração de eletricidade, representando 43,22% do total nacional em 2019, seguidos por biomassa (18,36%), geotérmica (16,98%), eólica (15,93%), hídrica (4,95%) e solar (0,56%).[1] A proposta original de Contribuição Nacionalmente Determinada da Nicarágua previa que as energias renováveis representassem 60% da capacidade elétrica instalada até 2030[2]. Essa meta foi revisada para cima, para 65%, em 2020.[3] O site do governo do CNDC publica estatísticas atualizadas com regularidade sobre a geração de eletricidade por tipo de combustível.[4]

Emissões de combustíveis fósseis de 2016 por setor, fonte: Worldometers

Metas de emissões de gases de efeito estufa

A Nicarágua tem uma das menores taxas de emissão de CO2 da América Latina, com 0,8 toneladas métricas per capita (em 2018).[5] A Nicarágua recusou-se a assinar o Acordo do Clima de Paris até outubro de 2017, alegando que o acordo não foi longe o suficiente para enfrentar o problema da mudança climática.[6] A Nicarágua se comprometeu a manter a variação das emissões per capita entre 2010 e 2030 em +1%.[7]

Agências governamentais de energia e outros players principais

Ministério nacional de energia

O MEM (Ministerio de Energía y Minas) é responsável por todo o setor de energia, incluindo coordenação, definição de objetivos, formulação de políticas e diretrizes gerais.

Agências licenciadoras

O MARENA (Ministerio del Ambiente y Recursos Naturales) desenvolve políticas e concede licenças para qualquer atividade na Nicarágua que seja regulada pela legislação ambiental.

O MIFIC (Ministerio para el Fomento, la Industria y el Comercio) é responsável por outorgar concessões para uso de água em projetos de hidreletricidade inferiores a 30 MW.

Agências regulatórias

A INE (Instituto Nicaragüense de Energía) é responsável pela regulamentação dos setores elétrico e hídrico.

Empresas concessionárias de energia elétrica

A ENEL (Empresa Nicaragüense de Electricidad) é responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. A ENATREL (Empresa Nacional de Transmisión Eléctrica) é a empresa nacional responsável pela operação e manutenção do sistema elétrico de transmissão. A FODIEN (Fondo para el Desarrollo de la Industria Eléctrica) projeta, administra e executa projetos de eletrificação rural. A CNDC (Centro Nacional de Despacho de Carga) é responsável pela operação da rede elétrica interligada nacional. Várias ONGs estão envolvidas nas questões de energia rural na Nicarágua.[8]

Companhia petrolífera nacional

No início de 2020, a Nicarágua começou a planejar a criação de quatro empresas estatais (Enigas, Eniplanh, Enicom e Enih) para coordenar a importação, armazenamento, distribuição e vendas de petróleo e gás na Nicarágua.[9]

Dados de emprego do setor de energia

Em 2020, 15,58% dos nicaraguenses trabalhavam no setor industrial, que inclui o subsetor de energia.[10]

Uso de eletricidade

Capacidade instalada

A Nicarágua tinha, em 2019, 1.619 MW de capacidade instalada, com os combustíveis fósseis representando 54,84% do total, seguidos por biocombustíveis (13,47%), energias eólica (11,5%), hídrica (9,72%), geotérmica (9,46%) e solar (1,01%).[1] O CNDC mantém mapas atualizados das instalações de geração elétrica e linhas de transmissão na Nicarágua.[11]

Produção

Geração elétrica por tipo de recurso em maio de 2021, fonte: CNDC

A Nicarágua gerou 4.582 GWh de eletricidade em 2019, com quase 57% oriundo de fontes renováveis.[1]

Demanda

Para 2021 e 2022, a demanda elétrica máxima no sistema elétrico nacional está projetada para 710 MW, sendo abril o mês historicamente mais exigente do sistema elétrico.[12]

Consumo

Em 2016, o consumo anual de eletricidade da Nicarágua totalizou 3.590 GWh.[13]

Carvão na Nicarágua

A Nicarágua não produz, consome, importa ou exporta carvão.[14]

Petróleo e gás natural na Nicarágua

A Nicarágua não produz petróleo.[6] O país ocupa o 115º lugar global em consumo de petróleo, com 37.000 barris diários durante 2016 (aproximadamente 0,25 galões per capita).[15] Em 2019, a Nicarágua importou US$ 506 milhões em petróleo refinado e US$ 254 milhões em petróleo bruto, principalmente dos EUA e El Salvador.[16] A empresa estatal ENIH (Empresa Nacional de Exploração e Explotação de Hidrocarburos) foi criada em 2020 para se dedicar à exploração e aproveitamento de hidrocarbonetos na Nicarágua.[9]

Energia renovável na Nicarágua

Os principais elementos da mistura diversificada de energias renováveis da Nicarágua incluem o calor geotérmico dos vulcões e biocombustíveis como o resíduo da cana-de-açúcar.[17] Como o custo da energia solar continua caindo, é provável que seu uso cresça rapidamente, principalmente nas áreas rurais empobrecidas.[17] Dados preliminares anunciados pelo Ministro de Minas e Energia da Nicarágua mostram que as energias renováveis foram responsáveis por 75,2% da geração de energia em 2020, com geotérmica (21%), eólica (16%), hídrica (15%) e biomassa (14%) contribuindo com a maior parte.[18]

Impactos ambientais e sociais da energia na Nicarágua

Fonte: ACLED

A Nicarágua é considerada um dos países mais vulneráveis ao clima em todo o mundo.[19] Ao assinar o Acordo de Paris em 2017, o governo da Nicarágua afirmou que está centrado nas políticas de energia verde devido aos impactos ambientais que o país já experimenta com as mudanças climáticas, como furacões mais frequentes e intensos.[6] Os residentes de áreas rurais enfrentam secas e inundações, causando danos intensos na estabilidade social.[19] O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas relata taxas de desnutrição infantil de até 30%, em parte causada por emergências relacionadas às mudanças climáticas.[20]

  1. 1.0 1.1 1.2 1.3 "Panorama Energético de América Latina y el Caribe 2020". OLADE. November 27, 2020.
  2. "Contribución Nacionalmente Determinada a la Mitigación del Cambio Climático (NDC) de la República Nicaragua ante la Convención Marco de Naciones Unidas sobre Cambio Climático (CMNUCC)" (PDF). Gobierno de Reconciliación y Unidad Nacional. August 2018.
  3. "Contribución Nacionalmente Determinada de Nicaragua" (PDF). MARENA (Ministerio del Ambiente y Recursos Naturales). 2020.
  4. "Generación por Tipo de Recurso". CNDC. May 14, 2021.
  5. "IEA Energy Atlas". IEA. Retrieved 2021-06-11.
  6. 6.0 6.1 6.2 "Paris accord: US and Syria alone as Nicaragua signs". BBC News. Retrieved 2021-05-14.
  7. "Nicaragua – Climate and Energy College". www.climatecollege.unimelb.edu.au. Retrieved 2021-05-14.
  8. "Nicaragua Energy Situation - energypedia.info". energypedia.info. Retrieved 2021-05-14.
  9. 9.0 9.1 "Nicaragua creates new fuel firms after December US sanctions". AP NEWS. 2021-05-07. Retrieved 2021-05-14.
  10. "Nicaragua - Employment by economic sector 2010-2020 – Statista". Statista. Retrieved 2021-05-14.
  11. "Sistema Interconectado Nacional - SIN". CNDC. Retrieved 2021-06-12.
  12. "Demanda de Potencia de Generación Total Prevista del SIN (MW)" (PDF). CNDC. January 2021.
  13. "Nicaragua Electricity Statistics - Worldometer". www.worldometers.info. Retrieved 2021-05-14.
  14. "Nicaragua Coal Reserves and Consumption Statistics - Worldometer". www.worldometers.info. Retrieved 2021-05-14.
  15. "Nicaragua Oil Reserves, Production and Consumption Statistics - Worldometer". www.worldometers.info. Retrieved 2021-05-14.
  16. "Nicaragua (NIC) Exports, Imports, and Trade Partners". oec.world. Retrieved 2021-05-14.
  17. 17.0 17.1 "Renewable Energy in Nicaragua – The Borgen Project". The Borgen Project. 2020-06-26. Retrieved 2021-05-19.
  18. "Nicaragua – over 98% electrification, 75% renewables supply". Smart Energy International. 2020-12-23. Retrieved 2021-05-14.
  19. 19.0 19.1 Deutsche Welle (www.dw.com). "Caught between floods and drought: Farmers in Nicaragua living in uncertainty – DW – 12.06.2019". DW.COM. Retrieved 2021-05-14.
  20. "Tough times for aid groups in Nicaragua". The New Humanitarian. 2020-09-02. Retrieved 2021-05-19.