Perfil energético – Equador

Fonte: Global Energy Monitor

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Matriz de combustível (combustíveis fósseis versus renováveis)

A maior parte do fornecimento de energia do Equador é obtida através do petróleo, especialmente nos setores de transporte e industrial. A energia hidrelétrica também é uma fonte energética crucial, sendo responsável por mais de 62% da capacidade elétrica instalada e 76% da geração de eletricidade em 2019, com outras energias renováveis desempenhando um papel muito menor.[1][2]

O Plan Nacional de Eficiencia Energética (Plano Nacional de Eficiência Energética) do Equador para o período de 2016 a 2035 visa promover a eficiência energética e o desenvolvimento das energias renováveis.[3][4] Em outubro de 2020, o Equador aderiu à EITI (Iniciativa de Transparência nas Indústrias Extrativas), em um esforço para promover a prestação de contas e ser mais transparente em relação aos recursos naturais e receitas auferidas.[5]

Metas de emissões de gases de efeito estufa

A meta de emissão de gases de efeito estufa do Equador para 2025 prevê uma redução de 20,9% em relação às emissões do tipo do “business as usual”.[6][7] Em 2019, o Green Climate Fund (Fundo Verde para o Clima) concedeu US$ 18,5 milhões ao Equador em reconhecimento aos esforços do país para reduzir o desmatamento e as emissões de GEE associadas.[8]

Agências governamentais de energia e outros players principais

Ministério nacional de energia

O MERNNR (Ministerio de Energía y Recursos Naturales No Renovables) é responsável pelos recursos energéticos não renováveise pelas minas no Equador.

Agências licenciadoras

As licenças ambientais devem ser obtidas no Ministerio del Ambiente y Agua (Ministério do Meio Ambiente e Águas) do Equador. Caso alguma fonte de água puder ser potencialmente afetada, uma segunda licença deverá ser concedida. Também é obrigatório a consulta à comunidade, junto aos grupos indígenas locais.[9][10]

As licenças de mineração no Equador são concedidas pelo MERNNR (Ministério de Energia e Recursos Naturais não Renováveis), mas o registro para mineração está temporariamente fechado desde 2018. Ou seja, novas empresas só podem ter acesso através de transferência de uma licença existente, que deve ser aprovada pelo MERNNR.[10]

Agências regulatórias

O administrador estadual ARCERNNR (Agencia de Regulación y Control de Energía y Recursos Naturales no Renovables) é responsável pela vigilância, auditoria, intervenção e controle de projetos de energia e operações de mineração.[10]

Empresas concessionárias de energia elétrica

O MEER (Ministerio de Electricidad y Energía Renovable) é responsável pelo desenvolvimento e distribuição de eletricidade em todo o Equador, com ênfase em recursos renováveis.[11]

Companhia petrolífera nacional

A EP Petroecuador (Empresa Estatal Petróleos del Ecuador) é a empresa petrolífera nacional do Equador. Seu foco é no transporte, refino, armazenamento, comercialização nacional e internacional, bem como controle de preço e qualidade do petróleo.[12]

Outros players importantes

O Estado equatoriano tem como prioridade a prospecção e exploração mineral, realizada por meio da mineradora nacional ENAMI (Empresa Nacional Minera).[10]

Dados de emprego do setor de energia

Em 2017, 18,4% dos equatorianos trabalhavam no setor industrial (definido como mineração, manufatura, produção de energia e construção).[13] Setores intensivos em capital, como petróleo e energia, continuam apresentando crescimento econômico no Equador.[14]

Uso de eletricidade

Capacidade instalada

Geração de eletricidade por tipo de combustível durante 2016 no Equador, fonte: EIA

Em 2016, o Equador estava produzindo 26,5 bilhões de kWh de eletricidade, com uma capacidade de geração instalada de 8,192 milhões de kW.[15] Em 2017, 54% da capacidade instalada total era proveniente de usinas hidrelétricas.[15]

Produção

O objetivo de Plan Maestro de Electricidad 2016-2025 do Equador é otimizar o uso dos recursos de geração de energia (principalmente aqueles de fontes renováveis), incentivando o uso eficiente, economia de energia e serviços confiáveis de alta qualidade, assim como estendendo o sistema interconectado nacional e o setor elétrico de Galápagos.[16]

Demanda

O Equador tem potencial de fornecer, para o país inteiro, energia totalmente produzida no país. O Equador atualmente supre 117% de suas necessidades de uso e continua a comercializar recursos energéticos com outros países.[17]

Consumo

Em 2016, o Equador consumiu 22,68 bilhões de kWh de eletricidade.[15]

Carvão no Equador

O Equador não produz carvão e não tem novas fontes ou projetos propostos para carvão.[18] O país ocupa a 114ª posição mundial no consumo de carvão.[18] O Equador precisa importar todo o carvão que usa. O Equador importou 17.000 toneladas curtas de carvão em 2018.[19]

Petróleo e gás natural no Equador

Produção interna nacional

Praticamente todas as reservas de petróleo bruto do Equador, de 8,3 bilhões de barris, estão localizadas na Bacia do Oriente, na Amazônia.[20] Quase 85% do fornecimento total de energia do Equador vem de petróleo e gás natural.[4] O Equador produziu 517.000 bbl/dia em 2018.[15] O gás natural continua a ser importante para manter uma rede elétrica confiável e flexível, e seu crescimento é esperado apesar da falta de infraestrutura do país para a captura e comercialização de seu próprio gás natural.[21]

Consumo

Consumo total de energia primária no Equador por tipo (2016), fonte: EIA

Em 2016, o Equador consumia 265.000 bbl/dia de produtos petrolíferos refinados.[15] O Equador consumiu 453,1 milhões de metros cúbicos de gás natural em 2017.[15]

Importações e países de origem

A Petroecuador é a grande responsável pela importação de petróleo e gás natural. Ela importa pequenas quantidades de GNL.[22] Em setembro de 2020, o governo equatoriano começou a permitir que empresas privadas importassem alguns combustíveis para uso industrial e comercial.[23]

Novas fontes e projetos propostos

Novos projetos de petróleo e gás natural no Equador encontraram uma ampla resistência das comunidades locais, especialmente a de grupos indígenas.[24] O sistema judiciário equatoriano emitiu ordens judiciais para encerrar projetos estavam em violação quanto a um meio ambiente saudável e os direitos humanos.[25]

Transporte

Exportações de petróleo bruto do Equador (mil barris por dia) por destino, 2016, fonte: EIA

O SOTE (Sistema Oleducto Trans-Ecuatoriano) e o OCP (Oleducto de Crudos Pesados) são os dois principais sistemas de oleodutos de petróleo bruto do Equador; ambos são antigos e não são usados em sua capacidade total.[20] O Equador era membro da OPEP (Organization of the Petroleum Exporting Countries) até janeiro de 2020.[26] O Equador exporta aproximadamente 70% de seu petróleo bruto.[20] Os Estados Unidos, Chile, Peru e China são os principais importadores de petróleo equatoriano.[20]

Energia renovável no Equador

O desenvolvimento de energia eólica e solar no Equador ainda estava em grande parte na fase de planejamento em 2021. O governo equatoriano pretende avançar com projetos eólicos e solares nos próximos anos.[21] Ainda é esperado que, por 2030, a energia hidrelétrica seja a maior fonte de energia renovável do Equador, apesar da reação contra a erosão dos leitos dos rios de água doce e outras preocupações relacionadas ao desenvolvimento dos recursos hídricos.[21]

Ferro e aço no Equador

Produção de aço no Equador entre abril e dezembro de 2020 em mil toneladas, fonte: TradingEconomics

O Equador é responsável por cerca de 1% do mercado siderúrgico latino-americano.[27] Estima-se que os depósitos de minério de ferro do Equador sejam consideráveis, mas as minas de cobre, ouro e prata do país atraem mais a atenção.[28] A principal fabricante de aço do Equador é a Adelca, que se destaca por reciclar metal para fazer produtos para o setor de construção, em vez de importá-los. O uso da tecnologia de forno elétrico a arco (EAF) economizou água, energia, resíduos, emissões atmosféricas e poluição da água.[27]

Impactos ambientais e sociais da energia no Equador

Protesto contra a mineração em Quimsacocha realizado no cantão de Girón, fonte: Mongabay

O Equador sofreu um de seus piores desastres ambientais relacionados à energia em abril de 2020, quando um par de oleodutos se romperam, derramando 672.000 galões de produtos petrolíferos nos rios Coca e Napo. Isso afetou o abastecimento de alimentos e água para 105 comunidades na Amazônia equatoriana e desencadeou protestos ainda em andamento.[29] Os projetos de mineração no Equador frequentemente enfrentam lutas e protestos de comunidades indígenas em relação aos impactos ambientais e ao número relativamente pequeno de empregos criados para os moradores locais.[30] Algumas das ameaças enfrentadas por ativistas ambientais no Equador são violações de direitos humanos, despejos forçados, destruição de propriedades, prisões, perseguições e assassinatos.[31] O abastecimento da Usina Hidrelétrica Coca Codo Sinclair fez o rio Coca sofrer com a erosão de seu leito, levando muitos a falar sobre os impactos negativos da energia hidrelétrica.[21] Em relação ao seu tamanho, o Equador tem a maior taxa de desmatamento anual do Hemisfério Ocidental.[32] Em fevereiro de 2021, mais de 80% da população de Cuenca (no sul do Equador) votou pela não permissão da mineração industrial nas bacias hidrográficas de cinco rios locais. As atividades de desenvolvimento de recursos continuarão a ser afetadas à medida que os cidadãos se organizam contra as ameaças às suas bacias hidrográficas e meios de subsistência.[29][33]

  1. "Panorama Energético de América Latina y el Caribe 2020". OLADE. November 27, 2020.
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  33. Herrera, Viviana (February 11, 2021). "Overwhelming Vote in Southern Ecuador Sends Strong Message to Mining Companies". Mining Watch Canada.