Perfil energético – Chile

Fonte: Global Energy Monitor

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Matriz de combustível (combustíveis fósseis versus renováveis)

Em 2019, o Chile gerou cerca de metade de seu fornecimento total de energia de petróleo e gás natural, com carvão (20%), biocombustíveis (17%), energia hidrelétrica (5%) e pequenas quantidades de energia eólica e solar (3%) responsáveis pelo restante.[1] Os combustíveis fósseis forneceram pouco mais da metade da capacidade elétrica instalada e geração de energia do Chile. A energia elétrica adicional foi gerada por energia hídrica (27%), solar (8%), eólica (6%) e outras energias renováveis, incluindo biomassa e energia geotérmica (3%).[2]

Metas de emissões de gases de efeito estufa

Em 2018, as emissões per capita de CO2 do Chile geradas pela queima de combustível (4,6 toneladas anuais) estavam entre as mais altas da América Latina e do Caribe, embora ainda sejam relativamente pequenas para os padrões globais.[3] A meta do Chile da Contribuição Nacionalmente Determinada para 2030 é uma redução de 30% nas emissões de GEE.[4][5]

Agências governamentais de energia e outros players principais

Agências nacionais de energia

O Ministério de Energia é o ministério do governo responsável pela política energética.

Agências licenciadoras

A SMA (Superintendência do Meio Ambiente) é a autoridade ambiental chilena responsável pela concessão de licenças para novos projetos de geração de energia.

Agências regulatórias

A empresa estatal CNE (Comissão Nacional de Energia) é a agência encarregada de regulamentar a produção, geração, transporte e distribuição de energia no Chile.

A Superintendência de Eletricidade e Combustíveis é o órgão regulador governamental do setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis do Chile.

Empresas concessionárias de energia elétrica

A empresa estatal CNE (Comissão Nacional de Energia) é a maior concessionária de energia elétrica do Chile.

Companhia petrolífera nacional

A ENAP (Empresa Nacional del Petróleo) é a empresa petrolífera nacional do Chile, responsável pela exploração e produção de hidrocarbonetos e energia geotérmica.

Principais empresas de energia

Entre as principais empresas privadas de energia que operam no Chile estão Enel, Colbún, Engie e AES Gener.

Uso de eletricidade

Capacidade instalada

A capacidade instalada chilena em 2019 era cerca de 24,4 GW.[2]

Produção

O Chile produziu pouco mais de 77 TWh de energia elétrica em 2019.[2]

Consumo

O Chile ocupou o 38° lugar no mundo em consumo de energia elétrica em 2018 (76 TWh).[6]

Carvão no Chile

Produção interna nacional

O Chile não é um produtor principal de carvão. A maior parte da produção nacional vem da região sul de Magalhães, com 2,3 milhões de tpa Invierno Mine.[7]

Consumo

O Chile foi o terceiro maior consumidor de carvão da América Latina em 2019, depois do Brasil e do México. Em 2019, o consumo foi de 13,4 milhões de toneladas.[8] Como resultado do plano nacional de descarbonização do Chile de 2019, o consumo de carvão deverá diminuir. O plano previa o desligamento de oito unidades alimentadas a carvão até 2024 - incluindo aquelas em Tocopilla power station, Patache power statio, Bocamina power station e Ventanas power station - com todas as unidades alimentadas a carvão ainda ativas no país sendo desativadas até 2040.[9][10]

Importações e países de origem

O Chile é historicamente o maior importador de carvão da América Latina, com mais da metade das importações provenientes da Colômbia.[11] As importações em 2019 foram de 10,4 milhões de toneladas.[8]

Petróleo e gás natural no Chile

Produção interna nacional

O Chile possui grandes reservas não desenvolvidas de gás de xisto.[12] Mas o país não é um produtor importante de combustíveis fósseis e precisa importar a maior parte de seu petróleo e gás natural. O Chile produziu apenas 22.000 barris/dia de derivados de petróleo em 2020 e 1,2 bilhão de metros cúbicos de gás natural em 2018.[6]

Consumo

Em 2018, o Chile consumiu 363.000 barris/dia de derivados de petróleo e 5,4 bilhões de metros cúbicos de gás natural.[6]

Importações e países de origem

Em 2019, o Chile importou pouco mais de 2 bilhões de toneladas de gás natural e quase 11 bilhões de toneladas de petróleo.[12] A importação de gás natural pelo Chile se dá através de gasodutos da Argentina e por mar de vários outros países, incluindo Trinidade e Tobago, Argélia, Catar, Guiné Equatorial, Estados Unidos e México.[13] Os dois principais terminais de importação de GNL do país são Quintero LNG Terminal e Mejillones LNG Terminal.[12]

Transporte

Quatro gasodutos internacionais (Atacama Pipeline, Nor Andino Pipeline, GasAndes Pipeline e Gasoducto del Pacífico) cruzam os Andes entre o Chile e a Argentina, permitindo que o Chile importe gás natural do país vizinho. Entretanto, os fornecimentos são intermitentes e a capacidade de exportação da Argentina foi totalmente encerrada por mais de uma década, antes que o fluxo fosse retomado em 2018.[14][15][16]

Energia renovável no Chile

O Chile anunciou, em 2019, sua intenção de atingir a neutralidade de carbono até 2050. Entre 2014 e 2020, o país aumentou o componente de energias renováveis em sua matriz energética de 3% para 25%, com destaque para a energia solar e eólica.[17] Empresas como a Enel e a Engie mudaram seus investimentos chilenos de energia a carvão para fontes alternativas, como solar e eólica.[18][19] O Chile está entre os países que recebe alguns dos níveis mais altos de radiação solar do planeta, sendo um dos principais candidatos para o desenvolvimento de energia fotovoltaica.[17] O Chile é um dos principais produtores mundiais de lítio, um elemento essencial em baterias de veículos elétricos. Em 2019, o país detinha cerca de 55,5% das reservas globais de lítio.[20]

Ferro e aço no Chile

Desde de 1950, a CAP Acero steel plant chilena é uma das maiores e mais antigas siderúrgicas da América do Sul. Sua tecnologia blast furnace/basic oxygen furnace é antiga e mais intensiva em energia. A usina usa minério de ferro das minas no norte do Chile, que se concentram nas regiões de Atacama, Antofagasta e Coquimbo, no norte do país.[21][22]

Impactos ambientais e sociais da energia no Chile

Os residentes das chamadas “zonas de sacrifício” chilenas (as cinco comunidades de Mejillones, Tocopilla, Ventanas, Coronel e Huasco), onde as usinas termelétricas a carvão e outras indústrias poluentes estão fortemente concentradas, estão vulneráveis a vários fatores de saúde e impactos na segurança, incluindo risco aumentado de doenças respiratórias e câncer.[23][24][25][26] O desenvolvimento das enormes reservas de lítio do Chile já está causando impactos negativos nos ecossistemas frágeis do deserto do Atacama e nas comunidades indígenas do norte do Chile, incluindo esgotamento severo nos recursos hídricos locais.[27][28]

Referências

  1. "IEA Policies and Measures Database © OECD/IEA". IEA. Retrieved 2021-04-10.
  2. 2.0 2.1 2.2 "Panorama energético de América Latina y el Caribe 2020 (p 98)". OLADE. November 2020.
  3. "IEA Energy Atlas". International Energy Agency. Retrieved 2021-06-20.
  4. "Contribución Nacional Tentativa de Chile (INDC) para el Acuerdo Climátiico París 2015" (PDF). Gobierno de Chile. September 2015.
  5. "Contribución Determinada a Nivel Nacional (NDC) de Chile - Actualización 2020" (PDF). Gobierno de Chile. March 17, 2020.
  6. 6.0 6.1 6.2 "International - Chile". U.S. Energy Information Administration (EIA). Retrieved 2021-06-14.
  7. "Coal mining in Chile". Wikipedia. Retrieved 2021-06-15.
  8. 8.0 8.1 "Chile". U.S. Energy Information Administration (EIA). Retrieved 2021-06-19.
  9. "Chile to close eight coal-fired stations by 2024". Institute for Energy Economics & Financial Analysis. June 7, 2019.
  10. "Plan de Descarbonización y Retiro de Centrales Eléctricas a Carbón en Chile" (PDF). Chile Sustentable. June 4, 2019.
  11. "(PDF) Perspectivas sobre las exportaciones de carbon Colombiano - en el mercado internacional de carbón térmico hasta 2030". Research Group CoalExit (via ResearchGate). August 2016.
  12. 12.0 12.1 12.2 "Oil and gas regulation in Chile: overview". Thomson Reuters Practical Law. Retrieved 2021-06-15.
  13. "¿Cómo llega el Gas Natural Licuado al Terminal de GNL Quintero?". GNL Quintero (in español). Retrieved 2021-06-15.
  14. "Chile vuelve a importar gas natural desde Argentina una década después". Agencia Efe. October 30, 2018.
  15. "Argentina authorizes new gas exports to Chile". Reuters. March 20, 2019.
  16. "Argentina's Vaca Muerta, LNG Ambitions Face Uncertainty as New Government Settles In - Natural Gas Intelligence". Natural Gas Intelligence. February 28, 2020.
  17. 17.0 17.1 "¿Pueden las renovables llevar a una recuperación verde de América Latina?". Dialogo Chino. October 2, 2020.
  18. "Engie prepara el cierre de dos nuevas unidades a carbón y proyecta invertir US$ 1.000 millones en renovables". Fundación Terram. April 16, 2018.
  19. "Enel Generación solicita autorización para adelantar retiro de Bocamina, su última central a carbón". Enel Generación Chile. May 27, 2020.
  20. "2020 Statistical Review of World Energy" (PDF). BP. June 2020.
  21. "Steel Dashboard". Global Energy Monitor. Retrieved 2021-04-12.
  22. "USGS Minerals Yearbook (p 7.13)" (PDF). US Geological Survey. 2015.
  23. "Atlas del Carbón, Edición Latinoamericana 2020 (pp 42-43)" (PDF). Fundación Terram / Heinrich Böll Stiftung Cono Sur / Friends of the Earth Internacional. December 11, 2020.
  24. "Estudio UC: habitantes de zonas con termoeléctricas se enferman 4 veces más - La Tercera". La Tercera. August 26, 2019.
  25. "La ironía de Mejillones y Tocopilla: zona alberga a nueva termoeléctrica en región con la mayor tasa de cáncer al pulmón del país". El Mostrador. August 29, 2019.
  26. "La compleja transición energética de las "zonas de sacrificio" de Chile". Diálogo Chino. April 15, 2021.
  27. "Chile: Experta alerta sobre riesgos de agotamiento del agua por extracción de litio en salar de Atacama en nuevo proyecto de Wealth Minerals". Centro de Información sobre Empresas y Derechos Humanos. June 4, 2019.
  28. "Chile: Explotación de litio deja sin agua a pobladores". Deutsche Welle (www.dw.com). January 27, 2020.