Perfil energético – Argentina

Fonte: Global Energy Monitor

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Matriz de combustível (combustíveis fósseis versus renováveis)

Em 2019, mais de três quartos do fornecimento total de energia argentino foi proveniente de combustíveis fósseis. O gás natural contribuiu com 54,90%, seguido pelo petróleo (32,81%), biocombustíveis (4,63%), hidrelétrica (3,50%), nuclear (2,27%) e carvão (1,74%). Outras energias renováveis, como eólica e solar, foram responsáveis menos de 1% do fornecimento total de energia.[1]

Na Argentina, os combustíveis fósseis respondem por 62% da geração elétrica e da capacidade instalada, com as energias renováveis (principalmente a hidrelétrica) sendo responsável por cerca de metade dessa quantidade e a nuclear completando a diferença.[2]

A lei de energia renovável da Argentina (Lei 27191), aprovada em 2015, se compromete com o fornecimento de 20% da energia sendo oriunda de fontes renováveis até 2025.[3]

Metas de emissões de gases de efeito estufa

Em 2018, as emissões per capita de CO2 da Argentina geradas pela queima de combustível (3,9 toneladas/ano) estavam entre as mais altas da América Latina e do Caribe.[4] De acordo com a meta da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país, tem-se por alvo uma redução de 26% nas emissões de GEE até 2030.[5][6]

Agências governamentais de energia e outros players principais

Agências nacionais de energia

A Secretaria de Energia argentina, uma subsecretaria do Ministério de Economia, é o órgão do governo encarregado da política energética.

A IEASA (Integración Energética Argentina SA) é a agência de energia estatal responsável pela produção, transporte e comércio de petróleo, gás natural e eletricidade.

Agências licenciadoras

O MAyDS (Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) é a autoridade ambiental argentina responsável por conceder licenças para novos projetos de geração de energia.

Agências regulatórias

O Enargas (Órgão Nacional de Regulamentação do Gás) é o responsável pela regulamentação e controle da transmissão e distribuição de gás natural na Argentina.

O ENRE (Órgão Nacional de Regulamentação de Eletricidade) é a autoridade que regulamenta e administra a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica em todo o país.

Empresas concessionárias de energia elétrica

A IEASA (Integración Energética Argentina SA) é a maior concessionária de energia elétrica argentina.

Companhia petrolífera nacional

A YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales) é a empresa petrolífera estatal argentina e está envolvida na exploração, produção e distribuição de petróleo e gás (convencional e não convencional).

Principais empresas de energia

A Pampa Energía, a AES e o Grupo Albanesi estão entre as maiores empresas privadas de energia que operam na Argentina.

Uso de eletricidade

Capacidade instalada

Em 2019, a capacidade instalada total da Argentina era de 37,9 GW, distribuída da seguinte forma: combustíveis fósseis responsáveis por 61,89% (24,5 GW), hidrelétrica por 28,52% (11,3 GW), eólica por 4,06% (1,6 GW) e solar por 1,1 % (439 MW).[2]

Produção

Dos 130 TWh de energia elétrica em gerados na Argentina em 2019, 61,75% foram proveniente de combustíveis fósseis, 27,25% de hidrelétricas, 6,11% de nuclear, 3,85% de eólica e menos de 1% de energia solar e biomassa.[2]

Consumo

O consumo elétrico argentino de 125 TWh em 2018 colocou o país no 30º lugar no ranking mundial.[7]

Carvão na Argentina

Produção interna nacional

A Argentina é um produtor de menor importância de carvão e a produção doméstica diminuiu continuamente na última década.[7] A produção na maior mina de carvão do país (Río Turbio Mine) enfrenta dificuldades no cumprimento de metas há anos. Enquanto isso, a mina e a Río Turbio power station adjacente, inativos por tempo indeterminado, sofreram pela má gestão, superfaturamento de custos e alegações de corrupção.[8]

Consumo

A Argentina consumiu 781.000 toneladas métricas de carvão em 2019 (72° lugar no mundo).[7]

Importações

As importações de carvão da Argentina totalizaram 1,2 milhão de toneladas métricas em 2018.[7]

Petróleo e gás natural na Argentina

Produção interna nacional

A Argentina se posicionou como a maior produtora de gás natural da América Latina em 2019, com 41,6 bilhões de pés cúbicos de gás natural seco.[9] Em 2020, a Argentina foi o quarto maior produtor de petróleo e outros derivados líquidos na América Latina (depois do Brasil, México e Colômbia), com uma produção de 635.000 barris/dia.[7]

Após sofrer quedas ano após ano na produção de petróleo (-5,3%) e gás (-8,6%) em 2020[10], a empresa petrolífera nacional da Argentina, YPF, espera um ressurgimento da atividade com um forte foco nos depósitos não convencionais de Vaca Muerta, onde a produção de petróleo deve crescer até 50% entre 2021 e 2023.[11] O desenvolvimento de petróleo e gás não convencional aumentou rapidamente nesta década desde a descoberta de Vaca Muerta, perfazendo 24,9% da produção de petróleo da Argentina e 42,8% da produção de gás em 2020, o que ajudou a compensar um declínio constante na produção convencional.[10][12]

Consumo

A Argentina consumiu 47,5 bilhões de metros cúbicos de gás natural em 2019, perdendo apenas para o México entre as nações da América Latina e Caribe.[13] O país ficou em terceiro lugar na região (atrás do Brasil e México) em consumo de petróleo e outros derivados líquidos em 2018 (719.000 barris/dia).[7]

Reservas

A formação Vaca Muerta, com 8,6 milhões de acres na Bacia de Neuquén, Argentina, possui alguns dos maiores depósitos não convencionais de xisto e gás do mundo, com recursos tecnicamente recuperáveis de petróleo e gás natural estimados em 16 bilhões de barris (xisto) e 308 trilhões de pés cúbicos (gás).[12] A Bacia de Neuquén foi responsável por 60,7% das reservas comprovadas de gás natural da Argentina e 39,8% das reservas comprovadas de petróleo em 2019.[10] Outros depósitos importantes estão localizados no Golfo de San Jorge (55,2% das reservas comprovadas de petróleo) e na Bacia Austral (25,2% das reservas comprovadas de gás natural).[10]

Importações e exportações

A Argentina continua importando gás natural através de gasoduto da Bolívia, sob um contrato de 20 anos válido até 2026, embora o declínio no fornecimento boliviano tenha resultado em volumes reduzidos na importação.[14][15] Essas importações da Bolívia foram historicamente complementadas por importações intermitentes de GNL através dos terminais Escobar e Bahía Blanca e de GNL regaseificado do Chile.[16]

Em 2018, após uma década de intervalo, a Argentina retomou as exportações de gás natural por gasodutos para o Chile, usando os gasodutos Nor Andino, GasAndes e Pacífico, e iniciou brevemente as exportações de GNL de Tango FLNG Terminal em Bahía Blanca.[12][17][18] Mas a produção interna nacional de Vaca Muerta continua inconsistente, o que aumenta a perspectiva da necessidade de importações crescentes de GNL para atender à demanda doméstica em crescimento nos próximos anos.[16][19][20]

Novos projetos propostos

A expansão da infraestrutura de gasodutos é vista como um meio fundamental para a criação de novos mercados para os hidrocarbonetos não convencionais de Vaca Muerta, mas projetos como o Vaca Muerta Pipeline (nacional) e o Vaca Muerta-Brazil Pipeline (internacional) continuam paralisados devido a questões financeiras, concorrência com as importações de GNL e com o desenvolvimento de gás brasileiro offshore e, por fim, a falta de comprometimento dos principais participantes.[18][21][22][23][24]

Transporte

A rede de gasodutos de gás natural da Argentina é a mais extensa da América Latina e a sexta maior do mundo, se espalhando por mais de 20.000 quilômetros, da fronteira com a Bolívia até a Terra do Fogo.[25] Os principais elementos da rede de abastecimento doméstica incluem os gasodutos Norte, Noreste, Centro Oeste, Neuba I e Neuba II, Cordillerano-Patagónico e San Martín. Eles são complementados por quatro gasodutos internacionais que atravessam os Andes, chegando até o Chile.

Energia renovável na Argentina

O setor de petróleo e gás da Argentina se beneficia de subsídios do governo, o que gera, para o desenvolvimento de energia renovável, desafios em relação à competição.[26] Tanto o governo nacional quanto os investidores estrangeiros têm favorecido o desenvolvimento contínuo de recursos de combustíveis fósseis ou megaprojetos ambientalmente prejudiciais, ao invés de energias renováveis em menor escala, como eólica e solar.[27] Menos de 10% da energia da Argentina vinha de fontes renováveis em 2020, o que é muito distante da meta nacional de 20% até 2025 estabelecida pela lei de energia renovável da Argentina (Lei 27.191).[28] As iniciativas de energia renovável atualmente em desenvolvimento incluem os projetos polêmicos de US$ 5 bilhões e 1310 MW (Condor Cliff e La Barrancosa), os primeiros empreendimentos hidrelétricos de grande escala da Argentina desde a barragem de Yacyretá na década de 1990.[29][27] A Argentina é um dos principais produtores mundiais de lítio, um elemento essencial em baterias de veículos elétricos. Em 2019, o país detinha cerca de 11% das reservas globais de lítio.[9]

Ferro e aço na Argentina

A Argentina é o terceiro maior produtor de ferro e aço da América Latina (depois do Brasil e do México), embora sua indústria siderúrgica continue pequena em relação aos padrões mundiais. A maior usina siderúrgica da Argentina, Ternium Siderar, ainda usa a tecnologia blast furnace/basic oxygen furnace, mais antiga e com maior consumo de energia, enquanto as outras duas grandes siderúrgicas do país (ArcelorMittal Acindar e TenarisSiderca) adotaram mais a tecnologia EAF (electric arc furnace), que tem maior eficiência energética.[30]

Impactos ambientais e sociais da energia na Argentina

O desenvolvimento dos recursos de hidrocarbonetos não convencionais na Argentina continua a impactar negativamente as comunidades locais, causando o esgotamento do abastecimento de água[31] e a contaminação ambiental por resíduos tóxicos associados ao fracking (fraturamento hidráulico).[32] Outro tópico atual de controvérsia ambiental é o megaprojeto hidrelétrico Condor Cliff-La Barrancosa, financiado pela China, em construção na Patagônia. As barragens têm causado protestos continuados, devido aos seus impactos potenciais sobre a bacia do rio Santa Cruz, a geleira Perito Moreno, as espécies endêmicas ameaçadas de extinção e as comunidades indígenas Mapuche y Tehuelche.[27][28][29]

Referências

  1. "IEA Policies and Measures Database © OECD/IEA". IEA. Retrieved 2021-04-10.
  2. 2.0 2.1 2.2 "Panorama energético de América Latina y el Caribe 2020 (p 98)". OLADE. November 2020.
  3. "Ley 27191/2015" (PDF). Boletín Oficial de la República Argentina: Poder Legislativo. September 23, 2015.
  4. "IEA Energy Atlas". International Energy Agency. Retrieved 2021-06-20.
  5. "Segunda Contribución Determinada a Nivel Nacional de la República Argentina" (PDF). Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible, República Argentina. December 2020.
  6. "La Argentina se comprometió a reducir un 26% las emisiones de gases de efecto invernadero para 2030". Telam. December 31, 2020.
  7. 7.0 7.1 7.2 7.3 7.4 7.5 "Argentina". U.S. Energy Information Administration (EIA). Retrieved 2021-06-18.
  8. "Especial LN+: Río Turbio, una mina convertida en símbolo de la corrupción". La Nación. September 10, 2017.
  9. 9.0 9.1 "2020 Statistical Review of World Energy" (PDF). BP. June 2020.
  10. 10.0 10.1 10.2 10.3 "Informe anual de hidrocarburos - Año 2020" (PDF). Instituto Argentino de Energía “General Mosconi”. March 2021.
  11. "La argentina YPF recuperará producción de petróleo y gas centrándose en Vaca Muerta". S&P Global Platts. November 11, 2020. Retrieved 2021-06-19.
  12. 12.0 12.1 12.2 "Growth in Argentina's Vaca Muerta shale and tight gas production leads to LNG exports". U.S. Energy Information Administration (EIA). July 12, 2019.
  13. "World natural gas consumption by country 2019". Statista. Retrieved 2021-06-21.
  14. "Argentina, Brazil set to lose most Bolivian gas imports by 2025". Oil & Gas Journal. November 10, 2020. Retrieved 2021-06-19.
  15. "El gas boliviano, entre la falta de extracción y la falta de mercados". Sputnik Mundo. January 16, 2021.
  16. 16.0 16.1 "Argentina races to ensure winter gas supply". Argus Media. February 22, 2021.
  17. "Engie hará la mayor compra de gas argentino para usar en Chile desde firma de protocolo". Revista Electricidad. December 27, 2017.
  18. 18.0 18.1 "Argentina's Vaca Muerta, LNG Ambitions Face Uncertainty as New Government Settles In - Natural Gas Intelligence". Natural Gas Intelligence. February 28, 2020.
  19. "Argentina to boost LNG imports for winter". Argus Media. March 2, 2021.
  20. "Argentina bulks up state-owned energy firm Ieasa". Argus Media. June 18, 2021.
  21. "Argentina's TGS to build Vaca Muerta gas pipeline, conditioning plant". Reuters. April 3, 2018.
  22. "A Complicated Major Gas Pipeline System on the Drawing Boards in South America". Pipeline Technology Journal. September 18, 2020.
  23. "El gasoducto de Vaca Muerta a Brasil, un proyecto de $s5.000 millones". Vaca Muerta News. September 22, 2020.
  24. "Nación proyecta un gasoducto "AF - CFK" para Vaca Muerta". Diario Río Negro. July 24, 2020.
  25. "Summary Data – Global Fossil Infrastructure Tracker". GEM (Global Energy Monitor). Retrieved 2021-06-16.
  26. "¿Pueden las renovables llevar a una recuperación verde de América Latina?". Dialogo Chino. October 2, 2020.
  27. 27.0 27.1 27.2 "China genera energía en Argentina". Diálogo UPR (in español). May 29, 2018. Retrieved 2021-06-20.
  28. 28.0 28.1 "Con nuevo gobierno, Argentina reactiva las represas en la Patagonia". Dialogo Chino. February 25, 2020.
  29. 29.0 29.1 "Represas de Santa Cruz, la avanzada china en infraestructura energética". EconoJournal (in español). June 6, 2019.
  30. "Steel Dashboard". Global Energy Monitor. Retrieved 2021-04-12.
  31. "Los habitantes de la capital nacional del fracking, sin agua". OPSur. January 25, 2021.
  32. "Las autoridades neuquinas no prevén medidas ambientales para los residuos peligrosos provenientes del fracking". FARN (Fundación Ambiente y Recursos Naturales) (in español).