Perfil energético – Colômbia

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Matriz de combustível (combustíveis fósseis versus renováveis)

A energia hidrelétrica é responsável por mais de dois terços da geração de energia elétrica e da capacidade instalada da Colômbia.[1] A Colômbia planeja expandir próxima década sua ênfase em energias renováveis, aumentando a capacidade instalada de outras fontes renováveis (de 2% em 2018 para 21% em 2030), com o maior crescimento em energia eólica em terra.[2] A ANLA, a agência de licenciamento ambiental da Colômbia, aprovou a primeira licença para um grande parque eólico em 2018.[3] Simultaneamente, a Colômbia prevê um crescimento no setor de carvão para 2,4 GW de capacidade instalada até 2030.[2]

Emissões anuais de dióxido de carbono (CO₂) de diferentes tipos de combustível em 2019, medidas em toneladas. Fonte: Our World in Data

Metas de emissões de gases de efeito estufa

Em dezembro de 2020, o presidente Duque atualizou a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) colombiana para refletir uma redução de 51% nas emissões de gases de efeito estufa (em comparação com sua promessa original de redução).[4] A Colômbia precisará adotar políticas para acelerar a transição do carvão e do fraturamento hidráulico, bem como prevenir o desmatamento, que responde por 16,68% das emissões totais do país com o intuito de atingir suas metas de emissões de gases de efeito estufa até 2030.[5] A longo prazo, a Colômbia pretende atingir zero emissões em 2050.[5]

Agências governamentais de energia e outros players principais

Ministério nacional de energia

O MME (Ministerio de Minas y Energía), formado em 1974, supervisiona a indústria de mineração, a indústria mineral e o setor elétrico da Colômbia. A UPME (Unidad de Planeación Minero Energética) é o unidade do MME responsável pelo planejamento do desenvolvimento dos recursos energéticos e minerais do país.

Agências licenciadoras

A ANLA (Autoridad Nacional de Licencias Ambientales) é a agência nacional de licenciamento de projetos com base em seus efeitos no meio ambiente. Deve-se obter uma licença ambiental tanto da ANLA quanto do órgão ambiental regional.[6]

Agências regulatórias

A CREG (Comisión de Regulación de Energía y Gas), criada em 1994, é responsável pela regulamentação das concessionárias de eletricidade e gás, de acordo com as leis 142 e 143.[7]

A ANH (Agencia Nacional de Hidrocarburos) é a agência nacional responsável pela administração e regulamentação dos recursos domésticos de hidrocarbonetos colombianos.[8][9],

A SSPD (La Superintendencia de Servicios Públicos Domiciliarios) supervisiona as empresas concessionárias de serviços públicos na Colômbia.

Empresas concessionárias de energia elétrica

A ISA (Interconexión Eléctrica SA) é a principal empresa de transmissão elétrica colombiana.[7] O setor de eletricidade é monitorado e administrado pelo CND (Centro Nacional de Despacho), pelo ASIC (Administrador do Sistema de Intercâmbios Comerciales) e pelo LAC (Liquidador e Administrador de Cuentas).[10]

Companhia petrolífera nacional

De propriedade estatal majoritária, a Ecopetrol é a principal empresa de petróleo da Colômbia e uma das quatro maiores empresas de petróleo e gás da América Latina, ao lado da Pemex do México, Petrobras do Brasil e PDVSA da Venezuela. O governo da Colômbia detém 88,5% das ações da Ecopetrol.[11][12][13]

Principais empresas de energia

A Drummond Ltd. é a principal empresa de carvão na Colômbia e é responsável pela criação de aproximadamente 10.000 empregos no país.[9]

As principais empresas de energia elétrica na Colômbia incluem EMGESA, Empresas Públicas de Medellín e ISAGEN.[7]

Dados de emprego do setor de energia

A Colômbia tem a segunda maior força de trabalho da América Latina no setor de energia renovável, atrás apenas do Brasil.[14] Dos cerca de 272.000 empregos no setor de energia renovável em 2019, 212.000 eram em biocombustíveis líquidos, 36.600 em hidrelétricas, 18.600 em biomassa sólida, 4.000 em energia eólica e aproximadamente 1.000 em solar fotovoltaica.[14]

Uso de eletricidade

O setor elétrico colombiano é composto pelo Sistema Interconectado Nacional (SIN) e por zonas não interconectadas.[7] O SIN inclui usinas de geração, a rede de interconexão, transmissão regional, transmissão inter-regional e os 27.916 quilômetros das redes de distribuição.[15] Os serviços de energia elétrica nas zonas não interconectadas (ZNI) são fornecidos por sistemas independentes de pequena escala.

Capacidade instalada

A energia hidrelétrica é a principal fonte de energia da Colômbia, representando 77,97% da capacidade instalada em 2019, seguida pelas termelétricas (14,62%), cogeração (1,22%) e eólica (0,1%).[7]

Produção

O atraso de três anos na construção da usina hidrelétrica de Hidroituango gerou preocupações sobre a escassez de energia no curto prazo na Colômbia, fazendo com que a CREG estabelecesse incentivos para projetos que pudessem abastecer essa falta de energia até a abertura de Hidroituango, que deve cobrir mais de 15% das necessidades energéticas da Colômbia.[7]

Demanda

A IPSE (Instituto de Planificación y Promoción de Soluciones Energéticas) é uma afiliada do MME que se concentra em atender às demandas de eletricidade em áreas rurais mal atendidas que estão nas zonas não interconectadas da Colômbia.

Consumo

O uso de eletricidade per capita na Colômbia foi de 1.300 kWh durante 2019.[16]

Carvão na Colômbia

Produção interna nacional

A Colômbia tem a segunda maior reserva de carvão da América do Sul (logo após o Brasil), mas é a maior produtora de carvão, com sua produção concentrada principalmente na região de Guajira.[17] A Colômbia produz mais de 80% do carvão na América Latina.[18] O governo federal possui todas as reservas de hidrocarbonetos, enquanto as empresas privadas são responsáveis pela produção de carvão.[19] Entre 1995 e 2020, a Drummond Ltd. exportou 500 milhões de toneladas de carvão produzido na Colômbia.[9]

Consumo

Em 2018, cerca de 10% do fornecimento de energia da Colômbia vinha do carvão.[19]

Exportações

A Colômbia é um exportador de carvão importante, exportando grande parte de seu carvão.[20] Em 2019, a Colômbia ocupava o quinto lugar globalmente nas exportações de carvão[21], superada apenas pela Austrália, a Indonésia, a Rússia e os Estados Unidos; Os principais mercados para o carvão colombiano são a Holanda, a Turquia, os Estados Unidos, o Chile, a Espanha, Portugal, o Reino Unido e o Brasil.[22] O país detém uma participação de 5,24% do mercado global de carvão em 2021.[23] O MME tem seu foco no aumento das exportações para os países asiáticos nos próximos anos. China e Índia são os principais mercados previstos para o carvão colombiano, à medida que a Europa investe mais pesadamente em energias renováveis.[24]

Petróleo e gás natural na Colômbia

Produção interna nacional

A Colômbia é o 19º maior produtor de petróleo do mundo.[25] Após os impactos da COVID-19 e das divergências com a OPEP em 2020, a Colômbia está se esforçando para recuperar a queda de quase 50% nos investimentos no setor de petróleo e gás.[26] O MME espera retornar a produção colombiana aos níveis de 2019.[26] A refinaria Barrancabermeja e a refinaria Reficar Cartagena perfazem quase toda a produção nacional de combustível.[17]

Fonte: EnerData[16]

Consumo

Em 2018, pouco menos de 40% do fornecimento de energia da Colômbia vinha do petróleo, com 25% adicionais oriundos do gás natural.[19]

Importações e países de origem

A demanda por gás natural impulsionou a Colômbia a começar as importações em 2016.[27] O declínio, tanto das reservas quanto da produção de gás natural, desencadeou um aumento nas importações de GNL dos Estados Unidos.[28]

Novas fontes e projetos propostos

Os projetos de modernização de refinarias e dutos foram a prioridade para a Colômbia no período entre 2010 e 2020.[17]

Transporte

A Cenit, subsidiária da Ecopetrol, controla 80% da infraestrutura dos oleodutos de petróleo bruto na Colômbia (6.300 milhas). Os oleodutos de produtos refinados são controlados de forma quase exclusiva pela Cenit.[17]

A Transportadora de Gas Internacional (TGI), subsidiária do Grupo Energia de Bogotá, opera a maioria dos gasodutos de gás natural.[17]

Energia renovável na Colômbia

O apoio à política federal e o atendimento à demanda crescente dos consumidores por energias renováveis na Colômbia contribuirão para uma tendência positiva de crescimento entre 2020 e 2025.[29] Devido à forte dependência da Colômbia quanto à hidroeletricidade (69% da energia renovável), o país é muito vulnerável a cenários hidrológicos como o El Niño, o que faz necessário o uso de energia térmica como reserva.[30] Consequentemente, as emissões de gases de efeito estufa são especialmente altas durante a passagem do El Niño. A energia eólica provavelmente terá uma tendência significativa de crescimento até 2025.[29] La Guajira está cotada para atrair investimentos eólicos devido aos ventos de classe sete, enquanto Orinoco e San Andrés são atrativos para o desenvolvimento solar.[31] As usinas de cogeração de biomassa também podem representar uma forte presença na Colômbia devido aos resíduos florestais e agrícolas.[31]

Ferro e aço na Colômbia

O setor siderúrgico é supervisionado pela Comité Colombiano de Productores de Acero, integrante da ANDI (La Asociación Nacional de Empresarios de Colombia). As exportações de ferroníquel da Colômbia começaram em 1985, após a extração na jazida de minério Cerro Matoso.[32] Em 2018, o valor bruto da produção da indústria siderúrgica foi de 7,76 trilhões de pesos colombianos.[33] As exportações de ferro e aço colombianos caíram 17,1% durante 2020.[34] Os produtores de aço colombianos se concentram em aços longos (80% são vergalhões) e esperam um crescimento devido a projetos de infraestrutura.[35] As cinco principais empresas produtoras de aço da Colômbia são: Acerías Paz del Río (brasileira), Gerdau Diaco (brasileira), Sidenal, Sidoc e Ternium Colombia.

Impactos ambientais e sociais da energia na Colômbia

Os ecossistemas e a biodiversidade da Colômbia estão ameaçados de forma pelas atividades extrativas relacionadas à energia.[36] A reinjeção da água de produção oriunda da indústria de petróleo e gás gerou atividade sísmica na Colômbia.[37] As zonas úmidas da Colômbia estão, particularmente, sob um risco alto de poluição relacionada à energia.[38]

A poluição da água pelas operações de petróleo e gás impacta negativamente as comunidades indígenas.[37] As comunidades ameaçadas pelos efeitos da energia no meio ambiente são pobres, carecem de serviços de saúde adequados e lutam para que suas vozes sejam ouvidas no âmbito da política nacional.[36] Ativistas trabalhistas, sociais e ambientais na Colômbia foram reprimidos ou desapareceram pelas grandes empresas.[37] Mais de 2.000 ativistas ambientais indígenas foram mortos ou feridos desde 2016 por se manifestarem quanto à extração mineral e aos perigos do fracking (fraturamento hidráulico).[39] Mais da metade de todas as mortes de ativistas no mundo em 2020 ocorreu na Colômbia.[40] Ativistas colombianos continuam defendendo o meio ambiente e pressionando por projetos de lei que proíbam a prospecção e exploração de novos reservatórios.[41]

A falta de responsabilização no setor de energia colombiano gera resultados problemáticos.[42] A natureza gasosa dos depósitos de carvão colombianos contribuiu para vários acidentes de trabalho e mortes.[18] Ventilação deficiente, treinamento do trabalhador e regulamentação inadequada tornam provável que os acidentes relacionados ao metano continuem.[18]

Referências

  1. "Panorama energético de América Latina y el Caribe 2020". OLADE. November 2020.
  2. 2.0 2.1 Djunisic, Sladjana (September 6, 2019). "Colombia to Beef Up Coal Along with Renewables by 2030". Renewables Now. Retrieved April 15, 2021.
  3. "Colombia grants first ever permit for large wind farm – Insights – Philippi Prietocarrioza Ferrero DU & Uría". Philippi Prietocarrioza Ferrero DU & Uría. Retrieved 2021-04-14.
  4. "Colombia pledges to reduce its GHG emissions by 51% by 2030". Retrieved 2021-04-15.
  5. 5.0 5.1 "Colombia Shows Leadership in the Race Against Climate Change". World Resources Institute. Retrieved 2021-04-15.
  6. "Manual of Environmental Licensing in Colombia" (PDF). ProColombia. Retrieved April 14, 2021.
  7. 7.0 7.1 7.2 7.3 7.4 7.5 "The Energy Regulation and Market Review, 8th Edition" (PDF). Law Business Research LTD. July 2019. Retrieved April 14, 2021.
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  12. "Composición accionaria". Ecopetrol. Retrieved May 24, 2021.
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