Perfil energético – Venezuela

Fonte: Global Energy Monitor

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Matriz de combustível (combustíveis fósseis versus renováveis)

A Venezuela é extremamente dependente da produção nacional de combustíveis fósseis, com petróleo e gás natural representando aproximadamente 90% do suprimento total de energia do país.[1][2] A energia hidrelétrica também desempenha um papel crucial na geração de eletricidade, sendo a responsável por cerca de metade da capacidade instalada. O plano nacional de energia elétrica da Venezuela, PDSEN (Plano de Desarrollo del Sistema Eléctrico Nacional - Plano de Desenvolvimento do Sistema Elétrico Nacional), prevê a incorporação de outras fontes renováveis de energia (eólica e solar) nas estratégias de longo prazo do país, principalmente para as comunidades rurais.[3][4]

Metas de emissões de gases de efeito estufa

A Contribuição Nacionalmente Determinada do governo venezuelano prevê, até 2030, uma redução de 20% nas emissões de gases de efeito estufa.[5] Embora a Venezuela seja signatária do Acordo do Clima de Paris, o governo afirma que a Venezuela não representa o problema de forma verdadeira, observando que o país produziu apenas 0,48% das emissões globais em 2018.[6]

Agências governamentais de energia e outros players principais

Ministério nacional de energia

O MinPet (Ministerio del Poder Popular de Petróleo) supervisiona todas as atividades que envolvam hidrocarbonetos e recursos de energia não renováveis.[7]

Agências licenciadoras

O Ministério do Petróleo, PDVSA, Executiva Nacional, Assembleia Nacional e outras agências do Estado são responsáveis por autorizações, licenciamentos e contratos de joint-venture.[8]

Agências regulatórias

A regulamentação do setor de petróleo é feita pela Lei dos Hidrocarbonetos e a do setor de gás é feito pela Lei do Gás.[8]

Empresas concessionárias de energia elétrica

A Corpoelec (Corporación Eléctrica Nacional) é a empresa estatal de energia da Venezuela. Ela está sob o controle do Ministério de Energia Elétrica e foi constituída em 2007, na sequência da fusão de dez empresas elétricas estatais e seis privadas.[9]

Companhia petrolífera nacional

A PDVSA (Petróleos de Venezuela, S.A.) é a empresa estatal que explora, produz, refina, transporta, armazena, fabrica e comercializa produtos petrolíferos, dentro e fora da Venezuela.[10] A empresa foi colocada sob o controle militar em 2018.[11]

Outras empresas relacionadas à energia

A Carbozulia é a empresa estatal de carvão.[12] A INGESOL CA e a Solinal CA são as principais empresas do mercado de energia solar na Venezuela.[4]

Dados de emprego do setor de energia

Os dados de emprego no setor de energia da Venezuela não são claros devido a demissões, redução de horas e migração externa.

Uso de eletricidade

Capacidade instalada

O plano nacional de eletricidade da Venezuela para o período de 2013 a 2019 mostrou uma capacidade elétrica instalada total de aproximadamente 30.000 MW.[13] O maior gerador individual de energia do país é o projeto hidrelétrico Guri (também conhecido como projeto hidrelétrico Simon Bolivar), com uma capacidade instalada de 10.235 MW, capaz de gerar anualmente cerca de 45.000 gigawatts de energia elétrica.[14] Mas as usinas e a rede elétrica da Venezuela são afetadas por problemas de manutenção que reduzem drasticamente a capacidade disponível e o país está sujeito a apagões regulares, incluindo o notório apagão de março de 2019 que afetou o país inteiro.[14][15][16][17][18][19]

Produção

De acordo com dados de 2018 fornecidos pelo governo venezuelano, 62% da eletricidade foi gerada por hidrelétricas, com os 38% restantes gerados por usinas de hidrocarbonetos.[8]

Demanda

Consumo total de energia na Venezuela, 1990 a 2019, fonte: Enerdata

A maior parte da demanda por energia elétrica na Venezuela é atendida por Simon Bolivar Hydroelectric Plant.[9] Mas o declínio na produção dos últimos anos significa que a Venezuela não está atendendo à demanda de sua população.[8]

Consumo

O consumo de energia elétrica na Venezuela está caindo de forma constante desde 2013 devido à turbulência econômica e política, êxodo populacional e infraestrutura em ruínas.[20]

Carvão na Venezuela

Produção interna nacional

A Venezuela tem abundância de coal (é a terceira maior reserva da América Latina), do qual começou a depender mais fortemente devido às sanções dos EUA em relação ao petróleo.[12] O aumento da produção de carvão é a estratégia estatal para mitigar os danos econômicos causados pela perda de receitas advindas do petróleo.[12]

Consumo

A Venezuela tinha reservas comprovadas de carvão equivalentes a 4.460 vezes o consumo anual (em 2016). O país consome anualmente cerca de 180.696 toneladas curtas.[21]

Importações e países de origem

A Venezuela não importa quantidades significativas de carvão, principalmente desde o início da crise econômica.[21]

Transporte

A Venezuela exporta carvão principalmente para as nações europeias, totalizando 310.000 toneladas em 2019.[12] A Grã-Bretanha foi um dos destinos do carvão venezuelano em 2019 e 2020, após não receber carvão venezuelano em 2018.[12]

Petróleo e gás natural na Venezuela

Produção interna nacional

O declínio da produção de petróleo e gás na Venezuela esteve fortemente relacionada à turbulência política no país e piorou em 2020 devido à pandemia COVID-19. A Venezuela foi um dos membros fundadores da OPEP e tem algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, mas a má gestão, a falta de investimento, maquinaria obsoleta e a falta de pessoal qualificado diminuíram muito o poder do país nesse mercado.[8]

Consumo

O consumo interno de petróleo e gás na Venezuela é prejudicado pela má distribuição, falta de produto e inflação. O déficit de gás doméstico na Venezuela foi estimado em 75% (em 2020).[8]

Importações e países de origem

As importações de petróleo diminuíram significativamente desde o início das sanções dos EUA, uma vez que a Venezuela tem produtores em potencial limitados (como o Irã). Em 2019, a Venezuela importou 167.100 barris de derivados de petróleo por dia.[8]

Novas fontes e projetos propostos

Novos projetos de gás na Venezuela foram atrasados pela crise econômica e política no país, uma situação agravada pelas sanções dos EUA.[8] Ao longo de 2021, o governo de Maduro espera que a nova Lei Antibloqueio atraia capital estrangeiro para desenvolver 70 campos de petróleo que ficariam inativos sem esses investimentos.[22] O mais provável é que o investimento no setor de petróleo seja de origem chinesa.[23] A Lei dos Hidrocarbonetos de 2006 ainda está em vigor (situação de 2021). Ela exige que a exploração e produção primária de petróleo sejam realizadas pelo Estado ou entidades com mais de 50% de propriedade do Estado, o que limita consideravelmente novos contratos e explorações.[8]

Transporte

A Venezuela exportava a maior parte de seu petróleo bruto antes das sanções dos EUA. Apesar da existência de planos em andamento já por alguns anos para a exportação de gás natural pela Venezuela, por enquanto nada foi concretizado. Em 2021, a Venezuela não importa nem exporta gás natural.[8]

Energia renovável na Venezuela

A redução no custo da instalação para energias renováveis, principalmente a solar, faz com que elas sejam uma opção mais viável para a Venezuela.[4] A Venezuela tinha 5,32 MW de capacidade de geração de energia solar e 71,28 MW de capacidade eólica instaladas em 2019.[4] O país planeja incorporar 10.000 MW adicionais de energia eólica até 2035.[4] O uso de energia renovável em áreas remotas poderia mitigar o risco de apagões, ocorrências comuns em grande parte do país.[24]

Ferro e aço na Venezuela

Sidor, a siderúrgica estatal venezuelana de grande porte que está em declínio desde sua nacionalização em 2008[25][26] e que há muito tempo é incapaz de produzir perto da capacidade total devido ao maquinário dilapidado[27], encerrou as operações permanentemente após o apagão venezuelano de março de 2019.[28][29] A usina produziu menos de 1% de sua capacidade total em 2020.[30] O oxigênio das instalações da Sidor (usado anteriormente como insumo durante o processo de produção de aço) foi destinado em 2020 e 2021 para tratar pacientes de COVID-19.[30] Os depósitos de minério de ferro da Venezuela são de alta qualidade, mas um acordo de 2009 para a exploração com investimento chinês gerou uma dívida maciça para o governo venezuelano, devido aos preços extremamente baixos e à incapacidade da Venezuela de cumprir suas obrigações contratuais. A produção de minério de ferro pela mineradora estatal CVG Ferrominera Orinoco caiu vertiginosamente na última década.[31]

Impactos ambientais e sociais da energia na Venezuela

O governo venezuelano encobre com frequência os verdadeiros impactos sociais e ambientais de projetos de energia e mineração, mas mesmo com essas tentativas, os relatórios ainda são capazes de apurar corrupção, violações de direitos humanos, contaminação ambiental, liberação de gases de efeito estufa, desmatamento, poluição de reservatórios de água potável, entre outras coisas.[32] Dado que as instituições ambientais da Venezuela entraram em colapso devido à corrupção do governo, uma reação em cadeia de extração insustentável de recursos naturais seguiu como consequência.[33] Os projetos de mineração podem operar sem avaliações de impacto ambiental ou consultas públicas.[32] Derramamentos de petróleo ocorrem frequentemente e provavelmente continuarão ocorrendo, devido à falta de financiamento adequado para a atualização e manutenção de oleodutos, poços, terminais flutuantes e outras infraestruturas necessárias.[14] Em um estudo de 2020 foi descoberto que a Venezuela, considerando somente o ano de 2017, teve mais de 4.000 derramamentos de petróleo.[34] O risco de desastre ambiental foi intensificado com o declínio da economia venezuelana, como está evidenciado em relatos continuados de poços de petróleo abandonados, oleodutos rompidos, derramamentos e vazamentos de gás e o encalhe de um petroleiro enferrujado, carregado com mais de um milhão de barris de petróleo bruto na costa da Venezuela em 2020.[35][36][37][38]

  1. "Panorama Energético de América Latina y el Caribe 2020". OLADE. November 27, 2020.
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  3. "Venezuela Development Plan for the National Electric System 2013-2019 (Plan de Desarrollo del Sistema Electrico Nacional (PDSEN))". IEA. February 17, 2017.
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  38. "Toxic Spills in Venezuela Offer a Bleak Vision of the End of Oil". Bloomberg.com. December 15, 2020.