Perfil energético – México

Fonte: Global Energy Monitor

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Matriz de combustível (combustíveis fósseis versus renováveis)

Mais de 80% da matriz energética do México é composta por combustíveis fósseis.[1] Em 2019, o petróleo representou 45,20%, seguido pelo gás natural (37,84%), carvão (6,44%), biocombustíveis (5,02%), eólica e solar (2,75%), nuclear (1,62%) e hidrelétrica (1,13%).[2]

Em 2020, os combustíveis fósseis representaram 64,50% da capacidade instalada do México e 72,15% da geração elétrica. O restante foi gerado por energia hidrelétrica (8,59%), eólica (6,31%), solar (4,33%), biomassa (3,49%), nuclear (3,48%), e geotérmica (1,46%).[1][3]

O plano nacional do sistema elétrico 2020-2034 detalha a estratégia do México para atender a oferta e a demanda ao longo de quinze anos. O Plano de Negócios 2022-2026 da CFE detalha as intenções do Estado para a eletricidade mexicana ao longo de cinco anos.

Metas de emissões de gases de efeito estufa

Em 2018, as emissões mexicanas per capita de CO2 provenientes da queima de combustível (3,6 toneladas anuais) estavam entre as mais altas da América Latina e do Caribe.[4] O plano da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do México estabelece uma redução de 22% nas emissões de GEE e de 51% nas emissões de carbono negro até 2030.[5][6]

Entre 2017-2023, o México está passando por um período de teste com um Sistema de Comércio de Emissões (ETS).[7]

Agências governamentais de energia e outros players principais

Source: IMCO

Em outubro de 2021, o presidente Lopez-Obrador anunciou uma nova iniciativa de reforma que "[dá] ao CFE seu lugar", dando ao CFE 54% do mercado e mantendo os outros 46% para empresas privadas.[8] A reforma faz parte do plano mais amplo do presidente para avançar para a nacionalização do mercado de energia no México.[9][10] Representantes do setor de energia renovável no México argumentam que a reforma iria "desmantelar a indústria de energia renovável" ao priorizar formas de energia "sujas e mais caras".[11] Os críticos afirmam ainda que os contribuintes podem esperar pagar a conta pela volta ao modelo centralizado de energia.[12]

Lithium is becoming vital resource in Mexico

Em abril de 2022, o projeto de lei da AMLO para garantir 54% do mercado de eletricidade do México à CFE ficou aquém da maioria necessária de dois terços dos votos.[13][14] No entanto, devido ao apoio em torno da mudança constitucional fracassada, embora o setor de energia tenha permanecido aberto ao setor privado, o México agora é visto como pouco atraente para a maioria dos investidores. Muitos cidadãos mexicanos veem a não aprovação do projeto como uma defesa das empresas transnacionais.[15]

Agências nacionais de energia

A SENER (Secretaria de Energia) é a autoridade governamental mexicana responsável pela política energética.

Agências licenciadoras

A SEMARNAT (Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais) é a principal autoridade ambiental do México, responsável por todos os aspectos da política ambiental. As usinas e outros grandes projetos industriais são obrigados a obter uma LAU (Licença Ambiental Única) junto à SEMARNAT, como pré-condição para a operação.[16]

A PROFEPA (Procuradoria Federal de Proteção do Meio Ambiente) tem funções adicionais de proteção ambiental.

Agências regulatórias

A CRE (Comissão Reguladora de Energia) é o órgão regulador governamental para os setores de petróleo, gás natural, biocombustíveis e eletricidade do México.

Empresas concessionárias de energia elétrica

A empresa estatal CFE (Comissão Federal de Eletricidade) é a empresa nacional de eletricidade do México.

O CENACE (Centro Nacional de Controle de Energia), uma subdivisão da CFE, é responsável pela operação da rede elétrica nacional do México.[17]

A CFE mantém um site com informações sobre licitações de energia mexicanas.

Empresas nacionais de petróleo e gás

A estatal Pemex (Petróleos Mexicanos) é uma das duas maiores empresas de petróleo da América Latina.[18][19] Ela atua em desenvolvimentos de petróleo e gás onshore e offshore, incluindo exploração, produção, refino e distribuição.

A empresa estatal CENAGAS (Centro Nacional de Controle do Gás Natural) é responsável pela distribuição e transmissão de gás natural do México.

Principais empresas de energia

Entre as maiores incorporadoras privadas de projetos de energia no México estão a Iberdrola, a Naturgy, a Sempra Energy, a Fermaca e a TC Energy.

Uso de eletricidade

Capacidade instalada

Em 2020, a capacidade instalada do México era de 83,1 GW. Os combustíveis fósseis representaram 64,50% da capacidade (53,6 GW), seguidos pelas energias hidrelétrica (12,6 GW, 15,17%), eólica (6,5 GW, 7,82%) e solar (5,1 GW, 6,19%).[1]

Produção

O México gerou 312 TWh de eletricidade em 2020[1], uma ligeira diminuição em relação aos 323,8 TWh de 2019[3] e aos 318 TWh gerados em 2018.[20]

Consumo

O México consumiu 271 TWh de energia elétrica em 2018, ocupando o 14º lugar no mundo e o 4º no ocidente, atrás dos EUA, Canadá e Brasil.[20]

Carvão no México

Produção interna nacional

Electricity generation by type: real (2021) and projected with reform (2022) Source: CFE

O desenvolvimento do carvão no México está concentrado no estado de Coahuila, ao norte, responsável por 99% da produção nacional.[21][22] O México produziu pouco mais de 11 milhões de toneladas curtas de carvão em 2019, ocupando a 23ª posição global.[20]

Em 2022, a CFE divulgou dados que projetavam um aumento de 3.921 GWh na energia gerada por usinas a carvão se a reforma elétrica proposta -Ley de la Industria Eléctrica (LIE)- fosse aprovada.[23]

Os estudos de 2021 propuseram o fechamento de várias usinas de carvão e o redirecionamento de recursos para diversificação econômica.[24] O Programa de Resgate e Diversificação Econômica da Região Carvoeira pretende repriorizar as ações do governo local para ajudar a proteger a viabilidade econômica da região à medida que o carvão se torna um tema mais polêmico.[25][26]

#MEXICO: Historia de una tonelada de carbón

Consumo

Em 2019, o México consumiu quase 21 milhões de toneladas curtas de carvão.[20]

Importações e países de origem

Apesar de ter sua própria produção nacional, o México ainda precisa importar carvão para abastecer suas três grandes usinas termelétricas: Carbon II, José López Portillo e Petacalco.[21] O carvão é proveniente principalmente da Austrália, Colômbia, Canadá e Estados Unidos.[27]

Novas fontes propostas

Em 2020, o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, que tem priorizado regularmente os combustíveis fósseis domésticos em contraposição aos projetos de energia renovável, anunciou um plano do governo para aumentar a produção de carvão no estado de Coahuila, comprando 2 milhões de toneladas de pequenos produtores para abastecer as usinas do México e fortalecer a economia local.[28][29]

Novos projetos propostos

Uma nova usina a carvão de 1400 MW tem sido proposta há muito tempo para o estado de Coahuila.[30][31][32] No entanto, em novembro de 2021, um alto funcionário da CFE (Comisión Federal de Electricidad) afirmou que o México não tinha planos ativos para construir novas usinas de carvão.[33]

Petróleo e gás natural no México

Produção interna nacional

O México produziu 1,94 milhão de barris/dia de petróleo e outros derivados líquidos em 2020, ocupando o segundo lugar na América Latina e Caribe (depois do Brasil) e o 12º no mundo.[20] Em 2019, o país produziu 34 bilhões de metros cúbicos de gás natural seco, ocupando o terceiro lugar na região (depois de Argentina e Trinidade e Tobago).[34]

Consumo

O México consumiu mais de 2 milhões de barris/dia de produtos petrolíferos em 2018, ocupando o 11º lugar mundial.[20] O consumo de gás natural no ano totalizou 2,93 trilhões de pés cúbicos (7º mundial).[20]

Os projetos que continuariam a apoiar o consumo constante de petróleo e gás natural do México são controversos.[35]

Importações e exportações

O México é o segundo maior exportador de petróleo bruto da América Latina (depois da Venezuela), ocupando o 12º lugar global, com embarques totalizando 1,28 barris/dia em 2018.[20]

O México é o 7º maior importador mundial de gás natural. As importações, oriundas principalmente dos EUA, totalizaram quase 1,9 trilhão de pés cúbicos em 2018.[20] Em grande parte devido à expansão do sistema de gasodutos entre EUA e México, as importações cresceram acentuadamente na última década e, em 2018, as importações ultrapassaram a produção nacional pela primeira vez, para se tornarem a principal fonte de gás natural do México.[3]

Novos projetos propostos

Construirán nueva terminal portuaria de gas licuado en Guaymas Sonora, por parte de LNG Alliance

Variados projetos de terminais de exportação de GNL propostos recentemente na costa do Pacífico do México (incluindo Costa Azul na Baja California, Mexico Pacific em Sonora e Vista Pacífico em Sinaloa) busca capitalizar a crescente demanda asiática e o excesso de capacidade de gás natural do México gerado pelo aumento das importações de gasodutos da Bacia do Permiano.[36][37][38]

O Corredor Interoceânico proposto pelo México, um projeto massivo e multifacetado conectando as costas do Golfo e do Pacífico através do Istmo de Tehuantepec, está programado para incluir uma expansão significativa do Jáltipan-Salina Cruz Pipeline, a modernização das refinarias Minatitlán e Salina Cruz e construção de novas infraestruturas importantes, incluindo Salina Cruz LNG Terminal, a Cogeneración Salina Cruz power station com 812 MW , e um porto de grande calado com capacidade de receber grandes petroleiros em Salinas del Marqués.[39][40][41][42]

Os projetos de oleodutos enfrentam oposição de grupos ativistas e indígenas, que os investidores temem que possam representar uma ameaça para novos oleodutos ou expansões de oleodutos.[43]

Transporte

A rede de gasodutos de gás natural do México, com mais de 17.000 quilômetros de extensão, é a segunda mais extensa da América Latina (depois da Argentina) e a nona maior do mundo.[44] O México aumentou substancialmente as importações de gás natural dos Estados Unidos nos últimos anos através de Sur de Texas-Tuxpan Gas Pipeline e da rede de gasodutos Wahalajara, que inclui os gasodutos Ojinaga-El Encino, El Encino-La Laguna, La Laguna-Aguascalientes e Villa de Reyes-Aguascalientes-Guadalajara. O México também importa gás natural por meio dos terminais de GNL Altamira, Costa Azul e Manzanillo, e está programado o começo da exportação de GNL em 2024 através do novo Costa Azul Export Terminal.

Ferro e aço no México

Radiografia da indústria do aço no México (Fonte: Canacero)

O México é o segundo maior produtor de ferro e aço da América Latina (depois do Brasil), com 23.006 ttpa de capacidade de produção de aço e 15.040 ttpa de capacidade de produção de ferro.[45] A maior siderúrgica do país, Altos Hornos de México (AHMSA), no estado de Coahuila, ainda depende amplamente da tecnologia blast furnace / basic oxygen furnace, mais antiga e com maior consumo de energia. Várias outras grandes usinas siderúrgicas mexicanas, incluindo ArcelorMittal Lázaro Cárdenas , Ternium San Nicolás de los Garza, Deacero Celaya, TYASA e TenarisTamsa, adotaram o método electric arc furnace, menos intensivo em uso de energia, que responde por quase dois terços da capacidade de produção de aço do México.

Energia renovável no México

© 2020 The World Bank, Source: Global Solar Atlas 2.0, Solar resource data: Solargis.

O governo de Andrés Manuel López Obrador tem favorecido amplamente os combustíveis fósseis domésticos aos renováveis, o que implica em desafios para o desenvolvimento de energia limpa. O México estabeleceu metas elevadas de inclusão de energias renováveis em sua matriz energética (35% até 2024, 40% até 2035 e 50% até 2050), mas o atingimento dessas metas parece improvável.[46] O México tem alguns dos níveis mais altos de radiação solar do planeta, o que o torna um dos principais candidatos para projetos de energia fotovoltaica.[46] Um estudo de 2021 descobriu que o México tem aproximadamente 22 TW de potencial de hidrogênio verde.[47]

CFE projections of clean energy 2024 vs 2035. Source: PV Magazine
Controversy in Oaxaca, Mexico over Latin America’s biggest wind farm

A mudança da política de outubro de 2021 para um modelo de energia centralizado colocou a energia solar e eólica no nível mais baixo da hierarquia de prioridades, pois estão principalmente nas mãos de fornecedores privados.[12] No início de 2022, a maior parte da geração eólica no México era detida por cinco empresas privadas e a maioria da energia solar por seis empresas privadas.[48] Os parques solares e eólicos têm recebido resistência das comunidades indígenas que dizem que os projetos não atendem às necessidades das populações locais nem da flora e fauna.[49] Grupos ativistas apoiam as energias renováveis, mas não os megaprojetos que tiram proveito de uma comunidade e as táticas de intimidação usadas para coagir os funcionários da comunidade.[50]

A energia geotérmica no México tem um grande potencial, mas é amplamente inexplorada. O campo geotérmico Cerro Prieto está entre as maiores estações geradoras geotérmicas do mundo.[51]

Até 2028, as energias renováveis mexicanas devem atingir quase 20 GW - 59% de energia eólica e 21% de hidrelétrica.[52] No entanto, o Insituto Mexicano para la Competitividad argumenta que a mudança para fontes de energia renováveis ainda é insuficiente para cumprir seus compromissos de transição energética.[53]

Lítio

Pesquisa divulgada em 2022 mostra que existem 82 locais viáveis para mineração de lítio no México.[54] A partir de abril de 2022, os contratos atribuídos para exploração e exploração de lítio exigem revisão especial como parte do objetivo do presidente AMLO de manter o lítio como "propriedade da Nação".[55][56]

El litio mexicano: guerra de Cifras - MOMENTUM

Impactos ambientais e sociais da energia no México

As usinas maiores e mais antigas do México, incluindo José López Portillo, Carbón II e Petacalco, movidas a carvão, e Manzanillo power station, movida a gás, são conhecidamente poluidoras pesadas, associados a inúmeras preocupações ambientais, de saúde e segurança.[27][57][58] O Corredor Interoceânico del Istmo de Tehuantepec (Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec), um megaprojeto proposto para facilitar a transferência de gás natural e outros recursos entre as costas mexicanas do Golfo e do Pacífico, provocou protestos e bloqueios continuados devido à falha dos desenvolvedores em consultar as comunidades indígenas ou obter permissão para entrar em suas terras.[59][60][61]

A EJ Atlas mantém um mapa interativo com infraestrutura relacionada à energia com uma camada para pontos de conflito.

Referências

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